Artigo: João Batista Freire “O caráter do futebol brasileiro”

 

POR JOÃO BATISTA FREIRE*

Mesmo que não ganhe medalha, a seleção feminina de futebol já deixou ótima impressão. A masculina, ganhando ouro não apagará a má impressão que construiu. É uma questão de caráter. Não me refiro ao caráter deste ou daquele jogador, mas do comportamento da equipe como um todo. O mesmo que mostra, há muito tempo, o futebol brasileiro, um caráter falho, duvidoso. Traço que não apresenta a seleção feminina, até porque as meninas são vítimas dele, como de resto, todos aqueles que procuram manter a dignidade no campo minado do nosso futebol. Há muitos anos o futebol brasileiro desfila num ambiente de imoralidade, com dirigentes presos, procurados, desvios de dinheiro, depósitos em paraísos fiscais, etc. Portanto, dificilmente seremos bem sucedidos ao procurar os defeitos nesta ou naquela atuação da seleção brasileira, neste ou naquele esquema do técnico A ou do técnico B. Há um caráter coletivo falho manifestado, tanto no modo de jogar da seleção e de clubes, como nas declarações de dirigentes, ou na maneira intimidada como técnicos atuam, quase sempre para não perder seus empregos, ou ainda na desenvoltura com que agentes transformam o futebol em mero negócio, sob a complacência suspeita dos dirigentes. Jogadores apenas razoáveis são mimados como crianças e convencidos por seus agentes de que são craques, e raros craques convencidos de que são deuses, só para que suas imagens rendam mais lucros. Nossos dirigentes se supõem acima da lei, e, por algum motivo, escapam das malhas da justiça brasileira, embora sejam procurados em qualquer território fora de nosso país. Não é culpa do Gabriel Jesus, do Neymar ou do Renato Augusto. Não existe alguém para ser culpado. Há uma estrutura podre que alimenta um negócio podre. E, se essa estrutura não fosse podre, os que se alimentam dela morreriam de inanição. Ou seja, dificilmente ela terminará, até porque aqueles que a administram não querem morrer de fome.

*João Batista Freire é professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.

A pirâmide de aprendizagem de William Glasser

Você sabia que quando ensinamos, é quando mais aprendemos? Conheça a pirâmide de aprendizagem de William Glasser.

O psiquiatra americano William Glasser (1925-2013) aplicou sua teoria da escolha para a educação. De acordo com esta teoria, o professor é um guia para o aluno e não um chefe .
Glasser explica que não se deve trabalhar apenas com memorização, porque a maioria dos alunos simplesmente esquecem os conceitos após a aula. Em vez disso, o psiquiatra sugere que os alunos aprendem efetivamente com você,  fazendo .
Além disso, Glasser também explica o grau de aprendizagem de acordo com a técnica utilizada.
Esta é a pirâmide de aprendizagem:
Segundo a teoria nós aprendemos:
  • 10% quando lemos;
  • 20% quando ouvimos;
  • 30% quando observamos;
  • 50% quando vemos e ouvimos;
  • 70% quando discutimos com outros;
  • 80% quando fazemos;
  • 95% quando ensinamos aos outros.
A teoria de William Glasser vem amplamente sendo divulgada e aplicada pro professores e pedagogos mundo afora, é uma das muitas teorias de educação existentes, e uma das mais interessantes, pois ela demonstra que ensinar, é aprender!
“A boa educação é aquela em que o professor pede para que seus alunos pensem e se dediquem a promover um diálogo para promover a compreensão e o crescimento dos estudantes” (William Glasser)

Compartilhem e ensinem, sempre

Fonte: http://professoracoruja.com.br/

Síndrome de Guillain-Barré: a doença que está crescendo no Brasil (e que você precisa conhecer)

Imagem: 123RF

Imagine que, do dia para a noite, seu filho pega um virose e começa a ficar mal, mal, mal. Você corre para o pronto-socorro e nenhum diagnóstico fechado! Aí você vai para o segundo, terceiro, quarto hospital, até que internam seu pequeno na UTI. Ele para de falar e de andar, e o seu coração, a da mãe, quase para de tanta preocupação nesse processo. Pois foi isso o que recentemente aconteceu com uma querida leitora que acompanha o blog há bastante tempo. Ela me escreveu para contar que seu filho está com a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), e, ao receber sua mensagem, só pude imaginar o quanto tudo está sendo difícil para essa família, e torcer para que esse pequenino melhore rapidamente.

Para quem ainda não ouviu falar, essa doença tem sido manchete de vários jornais por conta da suposta ligação com o Zika Vírus (que está praticamente comprovada, como você pode ver nessa notícia recente). E essa pode ser a explicação para o aumento do número de pessoas no Brasil com a Síndrome de Guillain-Barré (doença considerada rara). Só na Bahia, no ano passado, foram 53 casos confirmados, segundo boletim da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab).

Para alertar sobre o problema, que é atual e um risco real para nossas famílias (sobretudo para aquelas que vivem em áreas em que o Zika vírus está se espalhando com rapidez), resolvi fazer esse post com informações sobre a doença. Espero que vocês gostem e compartilhem com outras mães, pois trata-se de uma questão de utilidade pública!

Imagem: 123RF

A Síndrome e os sintomas

Segundo a literatura médica, entre 60% e 70% dos pacientes (que podem ser crianças, adultos ou idosos) desenvolvem a Síndrome de Guillain-Barré depois de terem contraído uma infecção viral ou bacteriana. Os primeiros sintomas são percebidos nos membros inferiores, como fraqueza muscular e parestesias (que são sensações estranhas na pele, como formigamento, coceira, queimação, pressão). Na maioria dos casos, essas manifestações são sentidas em seguida nos membros superiores e depois espalhadas pelo corpo, por meio de dores neuropáticas (ou seja, associadas a doenças no sistema nervoso).

Em geral a Síndrome acontece da seguinte maneira: quando uma pessoa está com uma infecção, produz anticorpos para atacar os vírus ou bactérias invasores. Entretanto, alguns desses microorganismos possuem substâncias semelhantes àquelas encontradas nos nossos nervos (mais precisamente à bainha de mielina, que reveste e protege as células nervosas). Assim, o próprio organismo, produzindo moléculas de defesa contra os patógenos, pode passar a atacar o revestimento dos neurônios (por isso a doença é considerada autoimune).

Esse ataque é tão forte que destrói toda a proteção dos nervos e, com isso, é bloqueada a passagem de estímulos aos nervos motores, que levam as informações do sistema nervoso até os músculos (justamente por isso os primeiros sintomas são fraqueza e parestesias, seguidos de paralisia muscular). Os sinais são progressivos e ocorrem rapidamente, geralmente em menos de uma semana.

Outros sintomas são queda ou aumento da pressão arterial, retenção urinária e constipação intestinal. Em quadros mais graves, os pacientes podem sentir ainda arritmias cardíacas e insuficiência respiratória, principais motivos que fazem a síndrome ser fatal (mas são raros os casos).

Diagnóstico e tratamento          

Se desconfiar da doença, a primeira medida é encaminhar o filhote ao pediatra, que fará uma análise clínica inicial da criança. Em caso de suspeita do médico, o pequeno precisará fazer alguns exames complementares para comprovar, ou não, a Síndrome de Guillain-Barré.

Se o diagnóstico for fechado, é hora de partir para o tratamento. Nas crianças, é recomendado o tratamento com imunoglobulina intravenosa (ou seja, com injeções de outros anticorpos, para destruir os anticorpos produzidos pelo organismo e que estão atacando os nervos) durante no máximo dois dias.

Dado o início do tratamento, as duas primeiras semanas geralmente são marcadas por progressão da Síndrome, seguida de estabilização até, finalmente, a regressão. A recuperação pode levar semanas ou mesmo meses e, para recuperar todos os movimentos que foram comprometidos, a demora pode ser de um ano. Também é necessária a atuação de uma equipe multiprofissional para acompanhar o tratamento, estimular o paciente e mesmo ensiná-lo novamente coisas que ele já sabia (escovar os dentes, pinçar o lápis para escrever, etc), mas que acabou perdendo por conta da síndrome.

Recuperação dos pequenos

Vale destacar que nas crianças o diagnóstico é mais fácil de ser feito e a chance de recuperação muito alta. O importante mesmo é prestar atenção aos sinais, especialmente queixas de dor (que são as manifestações mais comuns nos pequenos) e encaminhar logo o filhote ao pediatra para que, se comprovado um quadro de Síndrome de Guillain-Barré, o tratamento seja iniciado imediatamente.

Jogos Olímpicos Latino-Americanos de 1922 e outras competições esportivas incluídas na Exposição do Centenário da Independência do Brasil – 1922

Voltando ao passado dos megaeventos esportivos no Brasil, sugiro uma consulta ao capitulo sobre os Jogos 1922 publicado no Atlas do Esporte no Brasil em:

www.atlasesportebrasil.org.br/textos/158.pdf

Nesta informação toma-se conhecimento que o público total daquele primeiro megaevento esportivo ocorrido no Brasil alcançou um total de 168.000 pessoas. Sabendo-se que a população do Rio de Janeiro à época era de 1,1 milhões de habitantes, conclui-se que cerca de 15% deles assistiram as competições.
Se a mesma proporção de cariocas estiver presente aos Jogos Olímpicos Rio 2016, teremos um total de quase um milhão de assistentes em agosto próximo, resultado hoje de difícil alcancenas condições atuais da cidade do Rio de Janeiro.
Conclusão: o megaevento de 1922 foi e devera continuar como o maior evento esportivo do Brasil em termos de assistência.
A foto mostra o público de uma das competições de futebol em 1922 no Estádio do Fluminense, RJ.

Artigo: Igualdade de Gênero

Sempre gostei desse tema: e sempre trabalho em minhas aulas a questão do tema Igualdade de Gênero.

transcrevo na íntegra o artigo realizado pela Revista Nova Escola.

Reflita com os professores, funcionários e alunos os papéis atribuídos a homens e mulheres e as relações de gênero na escola

Reflita com professores, funcionários e alunos os papéis atribuídos a homens e mulheres e as relações de gênero na escola. Foto: Marina Piedade/Agradecimento aos alunos da Emeb Regina Maria Tucci de Campos

 

Olhe ao seu redor. Quantos professores homens trabalham na escola? Quantas são mulheres? No Brasil, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), oito em cada dez docentes da Educação Básica são do sexo feminino. Você já parou para pensar o porquê dessa diferença? A resposta está nos estereótipos de gênero cultural e historicamente construídos, segundo os quais as tarefas de cuidar e ensinar são essencialmente femininas. É desse valor predeterminado – também presente em expressões como “não chore que isso é coisa de mulher” e “futebol é esporte de homem” – que decorre a desigualdade.

Forma parecida de preconceito está presente em comportamentos e práticas que discriminam um sexo ou definem a superioridade de um sobre o outro. É o que acontece, por exemplo, quando as mulheres recebem salários menores mesmo tendo qualificação semelhante ou maior ou são proibidas de votar e estudar, como ainda acontece em alguns países do Oriente Médio. O sexismo, historicamente a favor dos homens, está presente inclusive na nossa língua em que se usa o substantivo masculino quando há referência ao plural ou a ambos os sexos.

Refletir sobre essas assimetrias permite combater as relações autoritárias e questionar os padrões de conduta estabelecidos. “Diariamente, a escola é chamada a lidar com situações de discriminação. Dar as respostas adequadas, a fim de evitar a reprodução dessas injustiças, exige preparo”, afirma Daniela Auad, coordenadora do grupo Educação, Comunicação e Feminismo, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Por isso, a pertinência de um projeto institucional que preveja ações relacionadas às práticas de convivência e pedagógicas. Na EEEP Governador Waldemar Alcântara, em Ubajara, a 348 quilômetros de Fortaleza, a coordenadora pedagógica, Simone Feijó de Melo, discutiu o assunto em sucessivos encontros formativos ao longo de 2011, depois de realizar umapesquisa que identificou casos de preconceito e bullying ligados à questão de gênero: “Realizamos atividades de leitura e produção de textos, discussão de filmes, problematização de situações reais e palestras que nos capacitaram para a elaboração de projetos que contemplassem debates e ações sobre o tema”.

Secretarias de Educação e órgãos governamentais ligados ao direito das mulheres e dos homossexuais desenvolvem trabalhos nessa área. A rede municipal de São Paulo tem, a partir deste ano, formação específica para educadores de 13 Diretorias Regionais de Ensino (DRE). Em Pernambuco, a Secretaria da Mulher realiza seminários sobre o tema para os educadores. Foi em um deles, realizado em 2009, que a equipe da EREM Oliveira Lima, em São José do Egito, a 383 quilômetros de Recife, entrou em contato com o assunto e criou um núcleo de estudos de gênero, que conta com professores e 60 estudantes do Ensino Médio. O grupo se encontra quinzenalmente e promove ações envolvendo a comunidade interna (veja abaixo a galeria de fotos das iniciativas). O projeto se tornou referência para toda a rede estadual e venceu duas edições do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, promovido pelo MEC e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Debates em grupoO Núcleo de Estudos e Formação em Gênero e Enfrentamento da Violência contra a Mulher Maria Vanete Almeida, homenagem à pernambucana que atuou pela valorização da mulher sertaneja, conta com 60 alunos. O grupo se reúne a cada 15 dias para debater a violência de gênero e a diversidade na escola e organizar iniciativas que envolvam a comunidade interna.

Alunos como professores Para compartilhar os conhecimentos adquiridos, os integrantes do núcleo dão uma aula em cada uma das 12 classes da escola. O seminário é elaborado com a ajuda do coordenador pedagógico, Kleber Ferreira Costa. Em 2013, ele foi realizado em novembro e abordou temas como a Lei Maria da Penha e a chegada da primeira mulher à Presidência do país

Artigo Interessante: Nossos futuros professores

Resultados da pesquisa confirmam mudança de perfil entre os que escolhem a docência. Maior parte dos candidatos vem de famílias de baixa renda e pouca escolarização, estudou em escola pública, trabalha para pagar a graduação e faz parte de um grupo com fraco repertório cultural

Diversos estudos recentes indicam que está se consolidando um novo perfil de candidato à docência: mais empobrecido, estudante de escola pública e com pequena bagagem cultural. As informações da pesquisa Atratividade da Carreira Docente no Brasil confirmam esse panorama. Na sondagem da FVC/FCC, apenas 31 dos 1.501 estudantes pesquisados desejam ser professor. Alguns achados saltam aos olhos. Dos 31 alunos que querem ser professor, 27 (87% do total) são de escola pública. E a grande maioria, 24 (77%), é mulher.

Em relação à escolarização, a tendência é que, quanto maior o nível de instrução dos pais, menor a intenção de ser professor. Entre os que se declaram candidatos à docência, cerca de metade tem pai que chegou a cursar além do Ensino Fundamental. Entre os que não pretendem ser professor, esse percentual sobe para 68%. Os pais com Ensino Superior também são mais numerosos entre os que não querem atuar em sala de aula: 31%, contra 16% dos que escolheram a docência como profissão.

As estatísticas oficiais apontam na mesma direção. De acordo com dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de Pedagogia, cerca de 80% cursaram o Ensino Médio em escola pública (68% só estudaram nesse tipo de instituição) e 92% são mulheres. Em termos socioeconômicos, 39% vêm de famílias com até três salários mínimos de renda mensal (a maioria, 50%, situa-se na faixa entre três e dez salários) e três em cada quatro trabalham

Dois fatores foram elencados pelos jovens como os mais atraentes para a escolha da carreira: a possibilidade de trabalhar com crianças e ensinar e transmitir conhecimentos (como se vê no depoimento na página seguinte). De fato, outros estudos confirmam que o professor se ampara em valores altruístas e se vê como um agente de transformação social, reforçando a ligação entre a docência e o prazer de trabalhar com a aprendizagem.

Mas a opção de se tornar professor também sofre forte influência de fatores externos, que acabam ajustando a escolha profissional à realidade. Conscientes das dificuldades que enfrentarão para passar num curso superior, adolescentes de baixa renda escolhem carreiras mais próximas de suas possibilidades, levando em conta o baixo custo da mensalidade, a facilidade de ser admitido e a rápida obtenção de um emprego.

A soma desses fatores tem levado à docência um grupo com fraca bagagem cultural. Ainda segundo o Enade, 45% dos futuros professores declaram conhecimento praticamente nulo em Inglês. Quando o recorte foca apenas os ingressantes nas graduações de Pedagogia (no caso, por meio dos dados do Exame Nacional do Ensino Médio de 2008), o panorama geral revela alunos com dificuldades de escrita e compreensão de texto nas questões de Língua Portuguesa.

Um perfil preocupante

Além das dificuldades econômicas, alunos dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas chegam à universidade com poucas referências culturais

Os futuros professores do Brasil*

* Entre os alunos do último ano de Pedagogia e Licenciaturas. Fonte: Questionários socioeconômicos do Enade de 2005. Foto Dercílio. Ilustração Daniella Domingues

Notas de corte de Pedagogia estão entre as mais baixas 

Isso se materializa nas notas de corte dos vestibulares. No maior do país, o da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), dos 13 cursos com menor nota de corte em 2010, quatro são Licenciaturas, e duas, disciplinas da Educação Básica. Pedagogia não fica nada distante: para o curso oferecido no campus de São Paulo, a nota mínima exigida para a segunda fase foi apenas 1 ponto acima das carreiras mais fáceis.

“Em resumo, os futuros professores são estudantes que, principalmente pelas restrições financeiras, tiveram poucos recursos para investir em ações que lhes permitissem acesso a leitura, cinema, teatro, eventos, exposições e viagens”, afirma o relatório final da pesquisa FVC/FCC. Entretanto, em vez de culpar os futuros docentes por suas deficiências, o caminho é potencializar as características produtivas desses jovens – a luta pela ascensão social por meio da profissão – e auxiliá-los a superar suas limitações. “Eles querem demais aprender e têm respeito pela profissão de professor”, diz Alda Judith Alves Mazzotti, especialista em Psicologia Educacional e professora da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Garantir uma formação inicial e continuada que cubra as lacunas de repertório dos candidatos à sala de aula é um dos caminhos para reverter o ciclo vicioso que produz poucos (e maus) professores.

Foto: Sérgio Vignes
Foto: Sérgio Vignes

Aprender com os alunos

“Escolhi Pedagogia porque sempre gostei de ir à escola. Hoje, o que mais me motiva é a possibilidade de troca com as crianças. Aprendo muito com os pequenos. É claro que não dá para negar que a profissão está desvalorizada. Os salários são baixos, e as condições de trabalho, ruins, mas o mais problemático é que a Pedagogia é tida como um curso menor mesmo nas melhores universidades. Acredito que existam estudantes que se graduam apenas para ter um diploma de formação superior sem pensar em ser professores.”

FLORA BAZZO SCHMIDT, 22 anos, aluna de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis

Artigo retirado Revista Nova Escola

http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/carreira/nossos-futuros-professores-535427.shtml?utm_source=redesabril_novaescola&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_novaescola

Artigo Jornal o Globo:Jogos do Rio marcam transição olímpica, uma nova era para 2020 ‘Modelo no qual cidade precisa ser transformada morre com os cariocas’

Transcrevo na íntegra o artigo publicado Jornal o Globo em entrevista com Mestre Lamartine da Costa.
POR VICTOR COSTA 19/12/2015 8:09 / atualizado 19/12/2015 10:22

Parque Olímpico dos Jogos Rio-2016 – Renato Sette Camara / Agência O Globo

 

Enquanto o povo brasileiro preenchia as ruas ao som de “não vai ter Copa” em muitas das manifestações que marcaram os anos de 2013 e 2014, os cabeças do Comitê Olímpico Internacional (COI) articulavam. O objetivo dos dirigentes era moldar um novo formato dos Jogos — incluindo uma revolução de conceitos sobre o megaevento — que desse mais credibilidade junto à população local e mundial. O resultado foi a criação da Agenda 2020 e suas 40 recomendações, que mudam radicalmente a maneira de se fazer e pensar as Olimpíadas. Sai a megalomania e entram a utilidade, a transparência e a igualdade em um grau ainda inimaginável.

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— O Rio de Janeiro está fazendo Jogos Olímpicos do passado. Esse modelo no qual a cidade precisa ser totalmente transformada com construções megalomaníacas para receber o megaevento morre com os cariocas. Depois de 2016, não existirá mais o termo “cidade olímpica”. De acordo com a agenda, serão as Olimpíadas que terão de se adaptar às peculiaridades de cada sede. E não o contrário, como é hoje. Isso por si só já é uma mudança de paradigma muito grande — afirma Lamartine da Costa, um dos principais pesquisadores sobre o movimento olímpico no mundo e membro de honra do Comitê Internacional Pierre de Coubertin (que é vinculado ao COI). — A Agenda 2020 foi aprovada ano passado, as pessoas noticiaram, mas parece que o público não se deu conta do tamanho dessa transformação. No Brasil, não se discute a agenda.

A Agenda 2020 é uma compilação de mais de 40 mil sugestões feitas por membros do COI para fazer com que os Jogos acompanhem uma tendência mundial de sustentabilidade em nível social, ambiental, econômico, cultural e político.

Sua origem tem três pilares que podem coincidir. Um deles se apoia em estudos de mídia que apontam o cada vez maior desinteresse dos jovens no megaevento. O segundo é a rejeição de moradores em querer receber as Olimpíadas. Forte candidata para receber o megaevento em 2024, Boston pulou fora. E, no fim de novembro, um referendo em Hamburgo fez a cidade alemã também desistir da candidatura. Antes de Pequim ser anunciada sede dos Jogos de Inverno, em 2022, outras quatro cidades abandonaram a candidatura no meio.

O terceiro pilar, que é também uma das causas para os outros dois já citados, está ligado à falta de credibilidade e transparência na movimentação de uma grande quantidade de dinheiro para a realização do megaevento. Segundo Lamartine, referências às manifestações no Brasil durante a Copa de 2014, escândalos de corrupção nos Jogos de Inverno de Sochi (na Rússia, também em 2014) e o esquema de compra de votos para levar a Copa de 2006 à Alemanha são citados com frequência nas pesquisas desenvolvidas pelo COI para entender a desconfiança em torno dos megaeventos esportivos.

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“Sim, estes são tempos difíceis para o esporte. Mas sim, também são uma oportunidade para renovar a confiança no poder que o esporte tem de mudar o mundo para melhor”, afirmou Thomas Bach, presidente do COI, em uma carta escrita no início de dezembro para analisar o primeiro aniversário da Agenda 2020.

Neste novo cenário dos Jogos, diz Lamartine, não devem mais existir parques olímpicos ou vila dos atletas, por serem construções dificilmente acompanhadas de uma gestão sustentável no pós-Jogos. A tendência é que essas duas instalações passem a ser subdivididas. Para isso, o natural é que o megaevento seja realizado em mais de uma cidade ou em megalópoles, como é o caso de Tóquio. Para 2024, entre as candidatas, Paris talvez seja a que mais se aproxime desse novo modelo de Jogos.

— Escutamos dizer que Tóquio já está com tudo pronto para receber os Jogos apesar de faltar mais de quatro anos. Mas a grande verdade é que Tóquio só foi escolhida porque já atendia a muitos pontos da agenda e, por isso, estava pronta — afirma o historiador.

LAÇO COM LIGAS PROFISSIONAIS

Alguns pontos da Agenda ainda são utópicos. Em uma das recomendações é pedido que os atletas passem a fazer cada vez mais parte da organização do megaevento, mas não indica o caminho a ser seguido. Outro diz respeito à igualdade de gêneros, com competições que homem e mulheres possam disputar juntos. Algo neste sentido já foi visto no último Mundial de Desportos Aquáticos (Kazan-2015), com os duetos mistos no nado sincronizado. A Regra 6 da Carta Olímpica, que proíbe preconceito contra atletas, foi reforçada na agenda, motivada pelas ações em Sochi-2014 contra homossexuais.

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A questão de dopagem também foi bastante discutida. Os culpados serão punidos com mais rigor, e passa a haver uma maior valorização dos atletas limpos — como o direito à cerimônia de premiação na próxima edição para os que herdarem uma medalha de um atleta dopado.

Outro ponto que muda radicalmente o formato dos Jogos é o fortalecimento de vínculos com ligas profissionais, não dando exclusividade apenas aos esportes que possuem federações internacionais. Este são os casos do skate e do surfe, por exemplo.

Apesar de o Rio ser a última sede a receber este modelo antigo dos Jogos, esta foi uma excelente chance para que a cidade volte a receber o megaevento no futuro, já que o modelo antigo obrigou a construção das instalações. No entanto, urge que um plano de gestão sustentável dê continuidade eficiente ao que está sendo feito para 2016.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/jogos-do-rio-marcam-transicao-olimpica-uma-nova-era-para-2020-18335495#ixzz3wBsSIJzW
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