Artigo Jornal o Globo:Jogos do Rio marcam transição olímpica, uma nova era para 2020 ‘Modelo no qual cidade precisa ser transformada morre com os cariocas’

Transcrevo na íntegra o artigo publicado Jornal o Globo em entrevista com Mestre Lamartine da Costa.
POR VICTOR COSTA 19/12/2015 8:09 / atualizado 19/12/2015 10:22

Parque Olímpico dos Jogos Rio-2016 – Renato Sette Camara / Agência O Globo

 

Enquanto o povo brasileiro preenchia as ruas ao som de “não vai ter Copa” em muitas das manifestações que marcaram os anos de 2013 e 2014, os cabeças do Comitê Olímpico Internacional (COI) articulavam. O objetivo dos dirigentes era moldar um novo formato dos Jogos — incluindo uma revolução de conceitos sobre o megaevento — que desse mais credibilidade junto à população local e mundial. O resultado foi a criação da Agenda 2020 e suas 40 recomendações, que mudam radicalmente a maneira de se fazer e pensar as Olimpíadas. Sai a megalomania e entram a utilidade, a transparência e a igualdade em um grau ainda inimaginável.

Veja também

Bruno Soares sonha com o pódio olímpicoParceiro de Marcelo Melo, Bruno Soares sonha alto nos Jogos
Usain Bolt em sua última visita ao Rio de JaneiroA caminho dos Jogos, Phelps e Bolt se superam e sonham terminar em alta
Jorge Bichara, gerente de performance esportiva do COB: meta é estar no top 10 da Rio-2016‘São humanos. Eles vão falhar’, diz gestor de performance do COB
Steve Redgrave demonstra treinamento do remo aos jovens remadores do Botafogo, em visita ao Rio para entrega do Laureus, em 2013Lenda do remo britânico ensina como se tornar campeão olímpico
— O Rio de Janeiro está fazendo Jogos Olímpicos do passado. Esse modelo no qual a cidade precisa ser totalmente transformada com construções megalomaníacas para receber o megaevento morre com os cariocas. Depois de 2016, não existirá mais o termo “cidade olímpica”. De acordo com a agenda, serão as Olimpíadas que terão de se adaptar às peculiaridades de cada sede. E não o contrário, como é hoje. Isso por si só já é uma mudança de paradigma muito grande — afirma Lamartine da Costa, um dos principais pesquisadores sobre o movimento olímpico no mundo e membro de honra do Comitê Internacional Pierre de Coubertin (que é vinculado ao COI). — A Agenda 2020 foi aprovada ano passado, as pessoas noticiaram, mas parece que o público não se deu conta do tamanho dessa transformação. No Brasil, não se discute a agenda.

A Agenda 2020 é uma compilação de mais de 40 mil sugestões feitas por membros do COI para fazer com que os Jogos acompanhem uma tendência mundial de sustentabilidade em nível social, ambiental, econômico, cultural e político.

Sua origem tem três pilares que podem coincidir. Um deles se apoia em estudos de mídia que apontam o cada vez maior desinteresse dos jovens no megaevento. O segundo é a rejeição de moradores em querer receber as Olimpíadas. Forte candidata para receber o megaevento em 2024, Boston pulou fora. E, no fim de novembro, um referendo em Hamburgo fez a cidade alemã também desistir da candidatura. Antes de Pequim ser anunciada sede dos Jogos de Inverno, em 2022, outras quatro cidades abandonaram a candidatura no meio.

O terceiro pilar, que é também uma das causas para os outros dois já citados, está ligado à falta de credibilidade e transparência na movimentação de uma grande quantidade de dinheiro para a realização do megaevento. Segundo Lamartine, referências às manifestações no Brasil durante a Copa de 2014, escândalos de corrupção nos Jogos de Inverno de Sochi (na Rússia, também em 2014) e o esquema de compra de votos para levar a Copa de 2006 à Alemanha são citados com frequência nas pesquisas desenvolvidas pelo COI para entender a desconfiança em torno dos megaeventos esportivos.

Veja também

Fabiana Murer costuma treinar em Malmo, na Suécia, e é prioridade máxima da CBAt, a Confederação Brasileira de AtletismoErrar, avaliar, aprender, evoluir: as lições do ano pré-olímpico

Mayara Aguiar é esperança de medalha para o Brasil na Rio-2016 no judôAs rotas: do sonho às metas de pódio do Brasil na Rio-2016
Auge. As velejadoras Martine Grael (à esquerda) e Kahena Kunze estão entre as favoritas na classe 49erFXApós quebrar o gelo em 2012, atletas participam dos Jogos no Rio
.Triste trópico: América do Sul ainda engatinha no pódio das Olimpíadas
“Sim, estes são tempos difíceis para o esporte. Mas sim, também são uma oportunidade para renovar a confiança no poder que o esporte tem de mudar o mundo para melhor”, afirmou Thomas Bach, presidente do COI, em uma carta escrita no início de dezembro para analisar o primeiro aniversário da Agenda 2020.

Neste novo cenário dos Jogos, diz Lamartine, não devem mais existir parques olímpicos ou vila dos atletas, por serem construções dificilmente acompanhadas de uma gestão sustentável no pós-Jogos. A tendência é que essas duas instalações passem a ser subdivididas. Para isso, o natural é que o megaevento seja realizado em mais de uma cidade ou em megalópoles, como é o caso de Tóquio. Para 2024, entre as candidatas, Paris talvez seja a que mais se aproxime desse novo modelo de Jogos.

— Escutamos dizer que Tóquio já está com tudo pronto para receber os Jogos apesar de faltar mais de quatro anos. Mas a grande verdade é que Tóquio só foi escolhida porque já atendia a muitos pontos da agenda e, por isso, estava pronta — afirma o historiador.

LAÇO COM LIGAS PROFISSIONAIS

Alguns pontos da Agenda ainda são utópicos. Em uma das recomendações é pedido que os atletas passem a fazer cada vez mais parte da organização do megaevento, mas não indica o caminho a ser seguido. Outro diz respeito à igualdade de gêneros, com competições que homem e mulheres possam disputar juntos. Algo neste sentido já foi visto no último Mundial de Desportos Aquáticos (Kazan-2015), com os duetos mistos no nado sincronizado. A Regra 6 da Carta Olímpica, que proíbe preconceito contra atletas, foi reforçada na agenda, motivada pelas ações em Sochi-2014 contra homossexuais.

PUBLICIDADE

A questão de dopagem também foi bastante discutida. Os culpados serão punidos com mais rigor, e passa a haver uma maior valorização dos atletas limpos — como o direito à cerimônia de premiação na próxima edição para os que herdarem uma medalha de um atleta dopado.

Outro ponto que muda radicalmente o formato dos Jogos é o fortalecimento de vínculos com ligas profissionais, não dando exclusividade apenas aos esportes que possuem federações internacionais. Este são os casos do skate e do surfe, por exemplo.

Apesar de o Rio ser a última sede a receber este modelo antigo dos Jogos, esta foi uma excelente chance para que a cidade volte a receber o megaevento no futuro, já que o modelo antigo obrigou a construção das instalações. No entanto, urge que um plano de gestão sustentável dê continuidade eficiente ao que está sendo feito para 2016.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes/jogos-do-rio-marcam-transicao-olimpica-uma-nova-era-para-2020-18335495#ixzz3wBsSIJzW
© 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

BRASILEIROS COORDENADOS POR LAMARTINE DA COSTA EM COOPERAÇÃO COM TOKYO 2020

1965703_533070740151764_6662145526451961522_o

Graduação em Ciências Navais pela Escola Naval (1958), licenciatura em Educação Física pela Escola de Educacao Fisica do Exercito (1963) e doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1989). Atualmente é professor titular da Universidade Gama Filho, membro Conselho Pesquisas do Comité Olimpico Internacional em Lausanne (Suiça) e professor visitante da Universidade Técnica de Lisboa. Atuou como professor visitante da Universidade do Porto (Portugal), da Academia Olimpica Internacional (Grecia) e da Universidade Autonoma de Barcelona (Espanha). No Brasil foi professor da Universidade Católica de Petrópolis (Engenharia), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Mestrado em Geografia), UNIRIO (Mestrado em Memoria Social), USP (Mestrado Educação Física) e UERJ (Graduação Educação Física). Tem experiência nas áreas de Educação Física, Administração, Historia e Filosofia com ênfase em meio ambiente, esportes, lazer e Gestão do Conhecimento. Tem produção contínua em pesquisas desde 1967 no Brasil e no exterior, com inicio na area de meio ambiente.

BRASILEIROS EM COOPERAÇÃO COM TOKYO 2020

No dia 04 de setembro membros da organização dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020 reuniram-se com autores dos três capítulos sobre Educação Olimpica (Chapters 22, 23 and 24) do livro “O Futuro dos Megaeventos Esportivos” para uma discussão da experiência brasileira neste tema para a elaboração do modelo japonês de gestão das Olimpíadas 2020. Para esta troca de informações a base foi o livro citado e textos publicados pelos especialistas acadêmicos brasileiros desde a década de 1990.

12002858_782789811846521_2327889362778408160_n

A foto mostra a reunião realizada no Consulado do Japão no Rio de Janeiro (Dr Kato Kentaro, titular) com a missão japonesa chefiada pelo Dr. Hisashi Sanada e composta por Ai Aramaki, Yuco Ueda, Naoki Shimada e Yuki Matsukawa. Os especialistas brasileiros foram coordenados por Lamartine DaCosta (Editor do e-book) incluindo Ana Miragaya (autora e editora do e-book), Otavio Tavares, Neise Abreu e Marcio Turini. Nelson Todt e Marta Gomes, também autores nacionais, participaram do evento com remessa de papers. Ana Miragaya durante o evento deu uma entrevista à Agência de Noticias Jiji Press de Tokyo, representada pelo jornalista Shuhei Tsuji que acompanhava oficialmente a missão do Dr Sanada. Este evento sinalizou o inicio de trabalhos de cooperação com Tokyo 2020 por parte de pesquisadores brasileiros no tema dos Jogos Olímpicos, sendo o próximo passo a participação de Tokyo 2020 no seminário a ter lugar na ALERJ em 13/10/2015 (acesso grátis ao e-book: www.correrbem.org.br).

11990427_782790275179808_798275092450219576_n

Grande mestre e incentivador do Korfebol Brasileiro e conselheiro ao lado do Professor Marcelo Korfebol

1382099_10201704627990306_1005618890_n

1000729_10201704626430267_600829067_n